Resenha de O falso mentiroso
O Falso Mentiroso, do Silviano Santiago, foi meu segundo livro de 2018. É curtinho e a segunda semana do mês deu e sobrou para acabar com ele. Foi uma relação curta e poderia até ter sido menor, pela extensão do livro. Não foi porque relações com livros têm esse inconveniente: quanto melhor é (a relação), mais rápido acaba.
Não que eu tenha desgostado do livro. Mas acho que ele é um bom motivo para falar de uma coisa que afeta algumas da minhas relações literárias: a influência. Esse livro, O Falso Mentiroso, mora na estante aqui de casa há um tempão. Não sei de onde ele veio, nem quando. Recentemente, li alguma coisa sobre Silviano Santiago, que não lembro mais o que era, e também me deparei, em meio a uma pesquisa bibliográfica da faculdade, com um texto dele. Resolvi que era um autor que devia conhecer e coloquei o dito cujo na lista. Fui na estante buscar o livro (isso eu lembrava, que devia ter um Silviano Santiago ali em algum lugar) e quando olhei a capa, uma luzinha acendeu em algum lugar dessa minha memória de Windows XP. Alguém, algum dia (pai, acho que foi você, mas não fique culpado) me tinha dito que aquele livro era “meio sem graça” ou algo assim. Na verdade, nem me lembrei de nenhuma frase concreta. Mas foi a memória de uma sensação, a sensação de que o livro era, digamos, morno.
Comecei o livro com essa sensação já instalada. É como quando um amigo seu fala “fulano é péssimo, já foi falso comigo muitas vezes”, e aí você vai conhecer a pessoa e não consegue evitar um embrulho no estômago toda vez que a pessoa sorri porque pensa que deve ser um sorriso falso. Eu comecei o livro com a sensação de ter lido uma história sem graça, sem ter lido história nenhuma ainda.
Obviamente, achei o livro sem graça. Coitado. Tem passagens bastante espirituosas até, e uma construção da passagem do tempo interessante, fora o jogo com memórias/verdade/mentira, mas ele não foi forte o suficiente para vencer a predisposição que eu estava para não me entusiasmar com a leitura. Não é sempre que isso acontece. A Outra Volta do Parafuso, de Henry James, por exemplo, me foi mal falado (pai, dessa vez eu tenho certeza de que foi você), mas eu li e quase enlouqueci de amor. Fica a recomendação, aliás.
Mas o Sr.Santiago não teve a mesma sorte que o Sr.James. Paciência, assim são as relações. Espero ter outro encontro com o brasileiro mais tarde, e espero estar pura de impressões prontas tomadas de empréstimo.
Isabela Torezan
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