Águas passadas



No rio da minha memória
Nadam vivos nomes, sobrenomes e muitos dejà-vus
Velejam invictos os títulos de muitos livros
E as vergonhas de outras décadas
Aprenderam nado profissional

O rio da minha memória
Às vezes tem as águas turvas
E as recordações doces, que ainda não sabem boiar
Não acham o caminho para vir à tona
Enquanto traumas flutuam com suas barrigas inchadas

Quando o rio periga secar
Eu encho ele com lágrimas
Pra que sempre tenham como fluir as lembranças
Que movem os moinhos do tempo

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