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Um horror à parte
Justo na primeira vez em que ela emprestava um livro nessa biblioteca, a reputação de leitora estragada por um atraso de dois dias. Um atraso besta ainda, poderia perfeitamente ter devolvido na data não fosse a distração que a fez marcar a quarta feira seguinte na agenda em vez da data correta. Amassando as notas…
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Dublinense – The End
Achei curioso constatar que estive em Dublin por exatos 320 dias. Não foram 319 ou 321, mas um número redondo terminado em zero. Um resultado exato e par para o que foram dias muito inexatos e ímpares. A Dublin em que morei durante estes 320 dias não deixou de surpreender e espantar e deslocar do…
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Ato de desespero
Ela viu a amiga sentada no banco de costume, um sanduíche comido pela metade em uma mão e o celular na outra, descendo o dedo pela tela. Maria guardou o aparelho no bolso quando a viu chegando, e mordeu o sanduíche mais uma vez. Ela sentou-se no banco também e esperou que a outra terminasse…
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Dublinense – onze
“Live crib”, dizia a placa, com uma seta apontando o caminho lateral do parque. Meu dicionário mental não forneceu de imediato o significado de “crib”, mas sendo época de natal num lugar em que tudo vira decoração de natal, e vendo as cores da placa, imaginei que ela indicava o caminho do presépio do parque.…
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Dublinense – sete
Cinco horas. O guarda do parque passou balançando um sininho que um dia deve ter sido dourado, tlim dlim tlim dlim. “The park is closing, please go to the main gates”. Yes sure thank you. Ela saiu, virou a esquina e esperou no ponto de sempre, encostada na parede. Dez minutos, era o tempo que…
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Dublinense – Um
É verão na Europa, estava calor. Quase nove horas da noite e ainda claro, estranhei o dia tão longo. Meu corpo já abatido pelo jet lag demoraria dias para se acostumar a isso. Mas, sem dúvida, o gorro de lã rosa na cabeça daquela senhorinha era mais estranho do que o sol das nove da…